Por Gutemberg Motta

 

A primeira reação que se tem ao assistir o filme é de surpresa. De como é inacreditável uma história tão forte, bonita e importante ser praticamente desconhecida por todos. E quantas histórias tão belas e essenciais ainda não conhecemos neste país? A comunicação comercial não consegue, ou melhor, não quer dar conta de toda produção cultural popular existente e passada. Com tantos orçamentos milionários, por que não há um real programa de incentivo a pequena produção cinematográfica? O cineasta Domingos de Oliveira já chamou atenção para o fato através do seu manifesto BOAA.

 

Por Thales Ramos

 

O filme tem imagens inéditas da escola. O documentário levou um ano pra ser concluído e ficou com 73 minutos no corte final. Os diretores prometem cenas inéditas, como de Paulinho da Viola como diretor de harmonia da escola. Muitas imagens foram conseguidas no acervo do MIS (Museu da Imagem e do Som), resultado de um acordo, o que impede – por enquanto – a distribuição comercial da obra.“Quem sabe, no futuro, a gente não renegocia. Vamos mostrar em universidades e escolas, festivais, mostras públicas. É só nos convidar que nós vamos”, acrescenta Bruno.

 

Por Luis Carlos Magalhães (Colunista do Dia na Folia)

 

A sensação que fica ao sairmos do cinema é que temos ali um filme heróico. Quanto terá sido o orçamento de “O Mistério do Samba”, o filmaço da Velha Guarda da Portela, ou o de “Cartola” recentemente exibido. Nada menos de 1 milhão cada um, com certeza. O que dizer quando um jovem sociólogo, sem nenhuma experiência anterior na cinematografia, mete a mão em seu próprio bolso, reúne seus parceiros Luís Fernando Couto e Regina Rocha, ele artista plástico, ela jornalista, e gasta exatos sete mil reais para realizar o filme?

 

Se as comparações são inevitáveis, vale dizer que diante daqueles outros a fita de Bruno Bacellar está longe de “desaparecer”. Se for certo que não se viu qualidades mínimas de som e que se viu imagens imprecisas, o filme mostra o imenso vigor físico e pessoal de Candeia e da escola de samba que criou.

 

As novas gerações que ali estiveram, e que tanto ouvem falar do ‘mestre’, tiveram a oportunidade de enriquecer seus referenciais com um personagem singularíssimo na história da Portela e do samba. Esta é a grande mensagem do filme... maior que a imagem de Candeia e as imagens da Quilombo. A mensagem da lição que Candeia deixou, transmitiu aos próprios realizadores e a equipe, se é que houve alguma equipe. E deixa para todos os outros Brunos, Luizes e Reginas a mostra do quanto há para ser pesquisado... mostrado; o quanto da história da cultura do povo brasileiro está escondido por aí.

 

Sabe-se que as leis de incentivo à cultura financiaram uma verdadeira fortuna só para a realização de festivais para mostrar filmes. Cerca de cem festivais se realizam anualmente, algo parecido como uma orgia de recursos desperdiçados, no mínimo um desequilíbrio de prioridades. E esta é a lição dos realizadores. Sem chororô, com uma câmera na mão e o Candeia na cabeça, nutriram-se da inesgotável energia do mestre e puseram na tela um resultado final repleto de imperfeições técnicas mas repleto ainda de amor e dedicação ao samba. Não duvido que, dos três, pelo menos um seja portelense.

LBR Associados e portfolio.net.br - 2007-2020© - webdesign: Luís Fernando Couto - All rights reserved