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A chama não se apagou

 

Fundada por Candeia, a Escola de Samba Quilombo é expressão da resistência da cultura contra a mercantilização do carnaval

 

O Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo foi fundado em 1975 por Antônio Candeia Filho, o Candeia, inconformado com o rumo que as escolas de samba tomavam, submetidas aos ditames dos patrocinadores.

 

Tornou-se um movimento de resistência na defesa das tradições culturais e manifestações artísticas populares e ainda hoje luta pela preservação desses ideais.

 

Um verdadeiro ícone na luta contra o carnaval comercial, a escola completa 32 anos no dia 8 de dezembro, data que será marcada com uma merecida comemoração pela insistência de um grupo de voluntários que batalham para mantê-la viva.

 

Com a morte de Candeia, houve o esvaziamento do projeto. O contrato com o clube Vega foi rompido. A escola mudou-se para Acari. Ela fez desfiles memoráveis mas com dificuldades, saiu no carnaval até 2003, com interrupções e cada vez com menos atenção da imprensa. Aos poucos os artistas e intelectuais foram se afastando.

 

Mas João Batista acha que a semente germinou: “Quilombo, fiel às diretrizes traçadas em seu manifesto, segue seu caminho, fincado num dos redutos mais pobres do Rio de Janeiro. Como o Quilombo de Zumbi, a Quilombo de Candeia Vive”.

 

Com o empenho de fundadores como Pedro Carmo dos Santos e Feliciano Pereira, o Candeinha, e de novos diretores, como Wilson Correa, Cristina Morsche e Paulo da Silva Filho, a escola ganhou novo fôlego. Com a atual gestão de Jorge Coutinho, há o sonho da escola voltar a desfilar.

 

Quilombo para a comunidade

 

A escola se esforça para manter o elo com a comunidade. No dia 10 de novembro, abriu as portas de sua quadra na rua Ouseley, em Acari, para um dia de ação social. Assistência jurídica, serviço social, exames de vista, verificação da pressão arterial estavam entre as atividades oferecidas gratuitamente ao público, acompanhadas de atrações como o grupo de capoeira da escola e a apresentação do samba de raiz do Uto Tombo, grupo originário da Quilombo.

 

“Queremos resgatar o vínculo com a população para que as pessoas vejam a Quilombo também como um espaço de atividades sociais”, explicou o coordenador de Projetos Wilson Correia, anunciando que a escola pretende oferecer para a comunidade atividades como esportes, dança, artesanato, teatro e informática. Todo segundo sábados, a partir das 14h, a escola organiza uma roda de samba na sua quadra aberta à comunidade.